Jornal da Record - Tragédia de Brumadinho - 30-01-2019 - Engº Habib Jarrouge e Prof. Dr. Roberto Kochen - Janeiro/2019

Jornal da Record - Tragédia de Brumadinho - 30-01-2019 - Engº Habib Jarrouge e Prof. Dr. Roberto Kochen - Janeiro/2019 


https://www.youtube.com/watch?v=gwOl5gfzrRA



Repórter Record: Uma extração de minério sem o uso de água, é assim que essa mineradora opera no Piauí, a rocha é escavada e a magnetita pura é extraída e triturada e em seguida por meio de um imã, o minério de ferro é separado. Esse tipo de extração dispensa a construção de barragens de rejeitos como a que se rompeu em Brumadinho.


Profº Dr. Roberto Kochen: O custo do beneficiamento à seco é maior só que perto do problema que pode ocorrer num desastre como esse é um custo insignificante.


Repórter Record: Quando a mina que abriga a barragem de Brumadinho começou a ser explorada, essa tecnologia de extração à seco não existia aquí no Brasil. O processo de separação do minério era feito com o uso da água e os rejeitos armazenados em barragens, hoje a Vale não extrai mais o minério na região com uso de água, mas as barragens permanecem com os rejeitos acumulados em 40 anos. A maior parte das barragens de rejeitos no Brasil foi construída pelo método chamado alteamento por montante, nele à medida que o reservatório vai enchendo novas camadas vão sendo acrescentadas usando parte do próprio rejeito na construção dos diques. Os especialistas dizem que a técnica é mais barata, mas a segurança fica comprometida.


Engº Habib Georges Jarrouge Neto: Ela é muito mais insegura porque você coloca o material de contenção em cima de rejeito de lama.


Repórter Record: Um outro método de contenção considerado seguro é o alteamento por jusante, aqui os novos diques são construídos do lado de fora do reservatório, usando apenas o terreno sólido na base da barragem. Os dois reservatórios que se romperam      em Mariana a três anos atrás e agora em Brumadinho não usavam o método jusante, construção que chega a custar até três vezes mais.


Engº Habib Georges Jarrouge Neto: Na mineração, a barragem é lixo, não é o coração do negócio, então o que acontece se você tiver um problema com a barragem, apesar dos graves danos que ela pode trazer pra gente, para sociedade, você não mexe no negócio.